Dificuldades de trânsito, acidentes e problemas de emissões de poluentes e seus reflexos sobre a saúde pública são as principais "culpas" atribuídas ao automóvel.A essas somam-se outras preocupações, como a necessidade de proteger o condutor, os passageiros e os demais atores do trânsito -pedestres, ciclistas, motociclistas...A sociedade deverá ter respostas adequadas e positivas para todas essas questões. Algumas respostas estão na própria indústria automobilística. Outras estarão em novas tecnologias e em ações governamentais.Há uma verdadeira revolução tecnológica nos centros de pesquisa e desenvolvimento de veículos, priorizando cada vez mais no DNA dos carros futuros os conceitos de segurança, qualidade ambiental e mobilidade urbana. Projetos que enfatizam carros compactos, motorizações de maior eficiência e menor consumo e combustíveis alternativos.A eletrônica e a informática estarão em crescente presença nos veículos, acionando-os e movimentando-os, definindo e orientando operações de maior dirigibilidade ao condutor, com economia de tempo e de recursos em adequados padrões de segurança e ambiental. Novos materiais e a nanotecnologia tornarão os veículos mais leves e mais recicláveis ao final de sua vida útil.A infraestrutura viária e a engenharia de trânsito serão especializadas em garantir fluidez e segurança. Os acidentes de trânsito exigirão arrojadas ações preventivas, começando por uma formação mais rígida dos condutores. Os veículos terão sempre equipamentos de segurança veicular, seja preventiva, seja defensiva.As emissões de poluentes serão crescentemente menores e, em alguns casos, eliminadas -ao menos na fonte final, que é o veículo. Biocombustíveis, veículos híbridos e elétricos já são realidade que ganha campo.Energias veiculares como célula de hidrogênio e outras ainda inimagináveis serão testadas em novas formas de mover o veículo nos anos futuros.O veículo dos anos futuros será muito mais avançado em termos de performance, design, dirigibilidade, funcionalidade, eficiência energética, emissões baixas ou zeradas, segurança, acessibilidade, manutenção e reciclabilidade no descarte.A mobilidade urbana deverá ser solucionada por políticas públicas que considerem a quantidade de carros nas ruas, a infraestrutura viária, o transporte público eficiente e abundante, a engenharia e a educação de trânsito, a inspeção veicular, o uso racional do automóvel e, enfim, o planejamento urbano das metrópoles.A equação automóvel-segurança e meio ambiente-mobilidade urbana será construída com produtos corretos e avançados, com legislações e políticas públicas e com a disciplina do consumidor.Não se trata, pois, de sacralizar ou demonizar o automóvel. Nem herói, nem vilão. Apenas necessário ao homem e ao mundo.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
domingo, 20 de setembro de 2009
Atomo
No Universo é composto de partículas minúsculas e indivisíveis, que chamaram de átomos (em grego "o que não pode ser cortado".) Durante 2.400 anos, filósofos e (mais recentemente) físicos vêm procurando pelos tijolos fundamentais da matéria. Essa é a missão do reducionismo: tentar dividir entidades complexas em entidades simples e irredutíveis.É claro que a pergunta mais imediata aqui é se existe mesmo algum limite: se cortarmos a matéria em pedaços cada vez menores, será que chegaremos mesmo até as entidades mais básicas? Essa é a crença que vem inspirando físicos por todo esse tempo. Até o final do século 19, achava-se que os átomos dos elementos químicos (do hidrogênio ao urânio e além, os integrantes da Tabela Periódica) eram indivisíveis. Essa crença foi derrubada em 1897 quando o inglês J. J. Thomson mostrou que todos os átomos continham uma partícula ainda menor, o elétron. Alguns anos depois, Ernest Rutherford mostrou que a maior parte da massa de um átomo está concentrada num volume mínimo no seu centro, o núcleo atômico. O integrante do núcleo com carga elétrica positiva, contrabalançando a carga negativa do elétron, ficou conhecido como próton. Em 1932, James Chadwick mostrou que outra partícula integrava o núcleo, de carga elétrica nula: o nêutron. Esse era o trio de partículas que, compondo todos os átomos da Tabela Periódica, deveria bastar para explicar a estrutura da matéria, um triunfo do reducionismo. Só que a festa durou pouco. Durante os anos 1940 e 1950, uma multidão de partículas foi encontrada, todas aparentemente elementares, isto é, indivisíveis. Essa avalanche de partículas, centenas delas, ia contra o espírito do reducionismo, e acabou gerando uma crise na comunidade. Será que o atomismo está errado? Quando Gell-Mann, e também George Zweig, propuseram que essas partículas eram, de forma análoga aos átomos, composta de outras menores, o alívio era palpável. Só que... esses quarks eram muito diferentes: tinham carga elétrica fracionária e não igual à do elétron e, para piorar, não podiam aparecer por si sós. Viviam trancadas, ou confinadas, dentro dos prótons, nêutrons e suas centenas de primos. Gell-Mann, sabendo que enfrentaria resistência, sugeriu que, se seu esquema estivesse correto, novas partículas existiriam, formadas de dois tipos de quarks, o "up" e o "down". Quando as partículas foram encontradas, as pessoas começaram a levar os quarks a sério. Prótons e nêutrons têm três quarks cada. Desde então, foram encontrados seis tipos de quarks. A teoria não prevê nenhum outro. Mas será esse o fim do reducionismo? Ou os quarks são feitos de partículas ainda menores? Esse é o tipo de pergunta que, especulações à parte, só os experimentos poderão responder.
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
sozinho
Sozinho estou aqui,
e sinto a natureza,
na quietude da manhã,
na beleza do jardim do prédio,
das nuanças do céu, no nublado do dia !
Da vida deveria esqueçer tantas amarguras,
a ingratidão atroz das criaturas,
o peso sufocante dos compromissos de gente grande !
Eu vivo assim num mundo diferente,
julgando o humano ser inconsequente,
em busca de algo bom que não vinga !
Será que as fibras frágeis do destino,
impele o meu ser a viver no desatino,
até que meu eu, esteja down
estou só e é isso que interessa,
porque sozinho eu não tenho pressa,
e me devoto ao recolhimento...
O pensamento meu deixo seguir,
buscando a paz que ele quer sentir,
na harmonia do conhecimento !
Fecho os olhos e sinto ao corredor subindo,
neste silêncio cada degrau
há uma presença amiga que me assiste...
Algo que apenas pode ser sentido,
seria algém com o meu perfume preferido,
e não permite mais que eu seja triste !
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Depressão eleva risco de morte em doente com câncer
Depressão eleva risco de morte em doente com câncer
Estudo mostrou que pacientes deprimidos têm 40% mais chances de morrer; causa pode ser baixa adesão à terapiaCerca de 30% das pessoas com câncer desenvolverão depressão em alguma fase da doença; paciente deve falar do estado emocional .Uma meta-análise de 25 estudos, que será publicada em novembro na revista "Cancer", mostrou que pacientes com câncer que desenvolvem depressão têm risco de morte 40% maior. Sintomas depressivos elevam o risco em 25%.No entanto, o trabalho, realizado por pesquisadores da Universidade de British Columbia (Canadá), não relacionou os mecanismos pelos quais a depressão contribuiria para um pior prognóstico do câncer."Fica esquisito, porque, se você não consegue documentar que a depressão faz a doença progredir mais depressâo, qual seria a relação causal entre a mortalidade e a depressão?", indaga o oncologista Drauzio Varella, colunista da Folha.A menor adesão ao tratamento pode ser uma das explicações para os maiores índices de mortalidade entre os doentes deprimidos. "O paciente pode se abandonar, o que o leva a negligenciar o tratamento de alguma forma. Ele pode esquecer a consulta, pular uma sessão de quimioterapia...", afirma Célia Lídia da Costa, diretora do Departamento de Psiquiatria e Psicologia do Hospital A.C. Camargo.Estima-se que cerca de 30% dos pacientes com câncer desenvolverão depressão em algum estágio da doença. "O deprimido não tem vontade de lutar contra a doença. A chance de esse paciente receber menos tratamento do que o necessário é grande", diz Varella.Já se sabe que a depressão aumenta o tempo de internação e piora algumas das manifestações do câncer, como dores, fadiga e insônia. Alguns tratamentos trazem desconforto intenso, e a depressão instalada pode fazer com que o paciente tolere menos os efeitos colaterais da terapia e a abandone mais facilmente.Por isso, é importante que a depressão seja tratada cedo. Para isso, o paciente deve informar ao médico sobre seu estado emocional. "Infelizmente, isso não ocorre com frequência. Parte dos pacientes não quer parecer fraca diante do oncologista; outros desejam que o médico foque somente no câncer", diz Sara Bottino, psiquiatra do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo.Os médicos ouvidos pela Folha enfatizam que o paciente que se sente deprimido -com falta de prazer pelas atividades de que gostava, com pensamento constante na doença e tristeza que não passa- não deve se sentir culpado."Fico um pouco revoltado com essas teorias, porque é muito comum você ver gente que acha que uma forma negativa de ver a vida ajudaria a desenvolver tumor. É uma simples especulação maldosa", argumenta Varella.
Estudo mostrou que pacientes deprimidos têm 40% mais chances de morrer; causa pode ser baixa adesão à terapiaCerca de 30% das pessoas com câncer desenvolverão depressão em alguma fase da doença; paciente deve falar do estado emocional .Uma meta-análise de 25 estudos, que será publicada em novembro na revista "Cancer", mostrou que pacientes com câncer que desenvolvem depressão têm risco de morte 40% maior. Sintomas depressivos elevam o risco em 25%.No entanto, o trabalho, realizado por pesquisadores da Universidade de British Columbia (Canadá), não relacionou os mecanismos pelos quais a depressão contribuiria para um pior prognóstico do câncer."Fica esquisito, porque, se você não consegue documentar que a depressão faz a doença progredir mais depressâo, qual seria a relação causal entre a mortalidade e a depressão?", indaga o oncologista Drauzio Varella, colunista da Folha.A menor adesão ao tratamento pode ser uma das explicações para os maiores índices de mortalidade entre os doentes deprimidos. "O paciente pode se abandonar, o que o leva a negligenciar o tratamento de alguma forma. Ele pode esquecer a consulta, pular uma sessão de quimioterapia...", afirma Célia Lídia da Costa, diretora do Departamento de Psiquiatria e Psicologia do Hospital A.C. Camargo.Estima-se que cerca de 30% dos pacientes com câncer desenvolverão depressão em algum estágio da doença. "O deprimido não tem vontade de lutar contra a doença. A chance de esse paciente receber menos tratamento do que o necessário é grande", diz Varella.Já se sabe que a depressão aumenta o tempo de internação e piora algumas das manifestações do câncer, como dores, fadiga e insônia. Alguns tratamentos trazem desconforto intenso, e a depressão instalada pode fazer com que o paciente tolere menos os efeitos colaterais da terapia e a abandone mais facilmente.Por isso, é importante que a depressão seja tratada cedo. Para isso, o paciente deve informar ao médico sobre seu estado emocional. "Infelizmente, isso não ocorre com frequência. Parte dos pacientes não quer parecer fraca diante do oncologista; outros desejam que o médico foque somente no câncer", diz Sara Bottino, psiquiatra do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo.Os médicos ouvidos pela Folha enfatizam que o paciente que se sente deprimido -com falta de prazer pelas atividades de que gostava, com pensamento constante na doença e tristeza que não passa- não deve se sentir culpado."Fico um pouco revoltado com essas teorias, porque é muito comum você ver gente que acha que uma forma negativa de ver a vida ajudaria a desenvolver tumor. É uma simples especulação maldosa", argumenta Varella.
Musicoterapia trata doenças e estresse
Recursos sonoros, como canto e instrumentos musicais, facilitam comunicação com paciente Usar a música em benefício da saúde é a função do musicoterapeuta, profissional ainda pouco conhecido, mas com atuação consolidada na prevenção e na recuperação de doenças mentais e de problemas psicológicos, como depressão e estresse.Seu trabalho consiste na utilização de recursos sonoros, como canto e instrumentos musicais, para facilitar a comunicação com o paciente. Ele atua em atividades que vão desde a construção de instrumentos, definição e composição do repertório até a intervenção direta com os doentes."Não pode ser qualquer música, não pode ser de qualquer jeito. O musicoterapeuta tem de ter uma visão integral do paciente para aplicar a terapia correta de acordo com o tipo de necessidade", a aplicação da musicoterapia teve início na área psiquiátrica, principalmente, no tratamento de pessoas com autismo.Hoje, a terapia é usada como apoio na reabilitação de problemas neurológicos, como mal de Alzheimer, e para melhorar a expressão, a autoestima e a socialização de pessoas portadoras ou não de patologias.Além de hospitais e clínicas especializadas, o profissional pode atuar em asilos, escolas e até em empresas, em programas de saúde do trabalho.No caso dos jovens, o foco do trabalho é a composição. "Com a música, eles falam dos problemas do cotidiano, e isso ajuda na reflexão e no autoconhecimento", diz ele, que também atua no controle de estresse de professores de escolas públicas.Na maioria das faculdades, os vestibulandos passam por provas específicas de habilidades musicais, em que devem demonstrar o domínio de um instrumento e noções básicas de musicalização. A exceção são as duas faculdades paulistas, que não têm prova específica de música no vestibular.No entanto, para ingressar na profissão, a experiência com música é fundamental.Segundo Maristela Smith, da FMU, é preciso dominar diferentes instrumentos e estilos musicais e saber compor para poder responder às necessidades dos pacientes. "O principal recurso do musicoterapeuta é a improvisação", diz."[O candidato] Tem que gostar de música e estar disposto a estudar isso a vida toda", afirma a coordenadora do curso no Conservatório, Raquel Siqueira. A instituição dá aulas preparatórias para quem vai prestar vestibular.Na faculdade, esse conhecimento é aprimorado. Teoria musical, história da música e percepção são algumas disciplinas básicas dos cursos, que duram quatro anos. A Aluna Marina Gil, 20, também faz aulas particulares de violão para melhorar a sua habilidade com o instrumento. "Escolhi o violão por ser um instrumento prático, que não intimida o paciente", diz ela, que ingressou no curso porque queria trabalhar com inclusão de pessoas com deficiência. No currículo dos cursos, também fazem parte disciplinas da área da saúde, como anatomia, neurologia e psiquiatria. "O músico estuda para aprender a tocar bem. Já o musicoterapeuta usa a música para melhorar a qualidade de vida das outras pessoas".
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Melhor droga
Exame do cérebro aponta melhor droga para tratar depressão
Quase 50% dos pacientes em tratamento não apresentam resposta satisfatória ao primeiro medicamento prescritoHoje, os médicos levam de quatro a seis semanas para identificar que determinado remédio não surtiu efeito, o que atrasa o tratamentoFERNANDA BASSETTEDA REPORTAGEM LOCAL Pesquisadores da Universidade da Califórnia identificaram um possível biomarcador que é capaz de mostrar, depois de uma semana, se determinada droga antidepressiva apresenta resultados no paciente. Atualmente, quase 50% dos doentes não apresentam resposta satisfatória ao primeiro medicamento prescrito.Além disso, os médicos demoram de quatro a seis semanas para identificar que determinado remédio não surtiu efeito -o que atrasa o tratamento, pois a avaliação clínica dos resultados só é realizada após esse período. Por causa disso, muitos pacientes abandonam o tratamento.Outro fator de demora na identificação do melhor tratamento é a quantidade de drogas disponíveis. Hoje, são comercializados cerca de 30 compostos diferentes de antidepressivos, o que dificulta a escolha.Estima-se que 17% da população adulta vá enfrentar um episódio de depressão pelo menos uma vez na vida. Encontrar um biomarcador de resposta ao tratamento é o principal objetivo dos psiquiatras.Segundo os pesquisadores, a avaliação de qual medicamento vai funcionar em determinado paciente seria possível através da realização de um eletroencefalograma quantitativo (mapeamento da atividade cerebral) antes e depois do início do uso da medicação. Trata-se de um exame não-invasivo, realizado em cerca de 15 minutos.Para chegar aos resultados, publicados na "Psychiatry Research", os cientistas avaliaram 375 pacientes diagnosticados com depressão. Os voluntários fizeram o eletro antes de iniciar o tratamento, para os pesquisadores avaliarem o padrão das ondas cerebrais, e repetiram o exame uma semana depois.No segundo exame, os pesquisadores observaram mudanças nos padrões das ondas cerebrais em comparação com o eletro de base e identificaram um biomarcador chamado de índice de resposta ao tratamento antidepressivo (ATR).Depois de 49 dias, os cientistas perceberam que podiam prever se os voluntários estavam mais propensos a responder a um antidepressivo diferente, pois encontraram 74% de exatidão nas previsões."Os resultados são um marco em nossos esforços para desenvolver biomarcadores clinicamente úteis", disse Andrew Leuchter, autor do estudo.Para o psiquiatra Ricardo Moreno, coordenador do Programa de Transtornos Afetivos do Instituto de Psiquiatria da USP, os resultados são interessantes, mas ainda precisam ser replicados em outros centros."Encontrar biomarcadores de resposta é o sonho de todos os centros de pesquisa do mundo. Se esses resultados forem comprovados, trarão um benefício muito grande para os pacientes", avalia Moreno.A mesma opinião tem o psiquiatra Marco Antônio Brasil, do Conselho Consultivo da Associação Brasileira de Psiquiatria. "O tempo de espera para saber se um remédio está fazendo efeito é muito grande e desgastante para o paciente. No futuro, esse recurso poderá ser uma boa alternativa", diz.Brasil, no entanto, faz uma ponderação. Para ele, mesmo que outros estudos internacionais comprovem a eficácia do método, será difícil realizar esse tipo de exame em toda a população com depressão."Falando em saúde pública, o eletro é um exame que custa caro para ser feito e repetido em uma semana. Acho que ele será uma boa alternativa para aqueles pacientes que já tentaram de tudo e continuam com a depressão persistente", avalia.O psiquiatra Marcos Pacheco Ferraz, professor da Unifesp, diz que os resultados estão longe de serem aplicados na prática clínica porque da forma como foram apresentados, em 26% dos casos, não é possível indicar o melhor medicamento com exatidão. "Não ter resultado eficaz em um quarto dos casos é um problema. Além disso, acho impossível fazer o exame em todos os doentes".
Quase 50% dos pacientes em tratamento não apresentam resposta satisfatória ao primeiro medicamento prescritoHoje, os médicos levam de quatro a seis semanas para identificar que determinado remédio não surtiu efeito, o que atrasa o tratamentoFERNANDA BASSETTEDA REPORTAGEM LOCAL Pesquisadores da Universidade da Califórnia identificaram um possível biomarcador que é capaz de mostrar, depois de uma semana, se determinada droga antidepressiva apresenta resultados no paciente. Atualmente, quase 50% dos doentes não apresentam resposta satisfatória ao primeiro medicamento prescrito.Além disso, os médicos demoram de quatro a seis semanas para identificar que determinado remédio não surtiu efeito -o que atrasa o tratamento, pois a avaliação clínica dos resultados só é realizada após esse período. Por causa disso, muitos pacientes abandonam o tratamento.Outro fator de demora na identificação do melhor tratamento é a quantidade de drogas disponíveis. Hoje, são comercializados cerca de 30 compostos diferentes de antidepressivos, o que dificulta a escolha.Estima-se que 17% da população adulta vá enfrentar um episódio de depressão pelo menos uma vez na vida. Encontrar um biomarcador de resposta ao tratamento é o principal objetivo dos psiquiatras.Segundo os pesquisadores, a avaliação de qual medicamento vai funcionar em determinado paciente seria possível através da realização de um eletroencefalograma quantitativo (mapeamento da atividade cerebral) antes e depois do início do uso da medicação. Trata-se de um exame não-invasivo, realizado em cerca de 15 minutos.Para chegar aos resultados, publicados na "Psychiatry Research", os cientistas avaliaram 375 pacientes diagnosticados com depressão. Os voluntários fizeram o eletro antes de iniciar o tratamento, para os pesquisadores avaliarem o padrão das ondas cerebrais, e repetiram o exame uma semana depois.No segundo exame, os pesquisadores observaram mudanças nos padrões das ondas cerebrais em comparação com o eletro de base e identificaram um biomarcador chamado de índice de resposta ao tratamento antidepressivo (ATR).Depois de 49 dias, os cientistas perceberam que podiam prever se os voluntários estavam mais propensos a responder a um antidepressivo diferente, pois encontraram 74% de exatidão nas previsões."Os resultados são um marco em nossos esforços para desenvolver biomarcadores clinicamente úteis", disse Andrew Leuchter, autor do estudo.Para o psiquiatra Ricardo Moreno, coordenador do Programa de Transtornos Afetivos do Instituto de Psiquiatria da USP, os resultados são interessantes, mas ainda precisam ser replicados em outros centros."Encontrar biomarcadores de resposta é o sonho de todos os centros de pesquisa do mundo. Se esses resultados forem comprovados, trarão um benefício muito grande para os pacientes", avalia Moreno.A mesma opinião tem o psiquiatra Marco Antônio Brasil, do Conselho Consultivo da Associação Brasileira de Psiquiatria. "O tempo de espera para saber se um remédio está fazendo efeito é muito grande e desgastante para o paciente. No futuro, esse recurso poderá ser uma boa alternativa", diz.Brasil, no entanto, faz uma ponderação. Para ele, mesmo que outros estudos internacionais comprovem a eficácia do método, será difícil realizar esse tipo de exame em toda a população com depressão."Falando em saúde pública, o eletro é um exame que custa caro para ser feito e repetido em uma semana. Acho que ele será uma boa alternativa para aqueles pacientes que já tentaram de tudo e continuam com a depressão persistente", avalia.O psiquiatra Marcos Pacheco Ferraz, professor da Unifesp, diz que os resultados estão longe de serem aplicados na prática clínica porque da forma como foram apresentados, em 26% dos casos, não é possível indicar o melhor medicamento com exatidão. "Não ter resultado eficaz em um quarto dos casos é um problema. Além disso, acho impossível fazer o exame em todos os doentes".
domingo, 13 de setembro de 2009
Próspero e o feitiço do tempo
Ninguém tem controle sobre tempestades, mas é possível e necessário se precaver para suas consequências
O DILÚVIO de terça..pegou muitos desprevenidos...embora a previsão do tempoa dissesse vagamente que eram possíveis "pancadas de chuva" na região, O clima tropical ou subtropical, o da maior parte do Brasil, é o de mais difícil previsibilidade, e que limitações tecnológicas no país, como o pequeno número de radares de que dispõem os institutos, impedem maior precisão para antecipar a intensidade de eventos climáticos severos, como as exatas quantidade de chuva ou velocidade de ventos.É claro que ninguém tem controle sobre as tempestades dizia Shakespeare. Mas é possível e necessário se precaver para suas consequências, mesmo quando são inesperadas, como a desta semana. Ninguém há de querer passar de novo pelos dramas de terça-feira. Mas talvez seja esse o castigo que os deuses destinarão a quem se omitir.
O DILÚVIO de terça..pegou muitos desprevenidos...embora a previsão do tempoa dissesse vagamente que eram possíveis "pancadas de chuva" na região, O clima tropical ou subtropical, o da maior parte do Brasil, é o de mais difícil previsibilidade, e que limitações tecnológicas no país, como o pequeno número de radares de que dispõem os institutos, impedem maior precisão para antecipar a intensidade de eventos climáticos severos, como as exatas quantidade de chuva ou velocidade de ventos.É claro que ninguém tem controle sobre as tempestades dizia Shakespeare. Mas é possível e necessário se precaver para suas consequências, mesmo quando são inesperadas, como a desta semana. Ninguém há de querer passar de novo pelos dramas de terça-feira. Mas talvez seja esse o castigo que os deuses destinarão a quem se omitir.
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